A dor na lateral do quadril é uma das queixas mais frequentes nos consultórios de ortopedia.
Muitas pessoas recebem o diagnóstico de “bursite no quadril” logo nas primeiras consultas. Embora a bursite realmente possa causar dor nessa região, ela nem sempre é a única responsável pelos sintomas.
Na prática, existem diferentes estruturas localizadas na parte lateral do quadril que podem gerar dor, e identificar corretamente a causa é fundamental para definir o tratamento mais adequado.
Onde fica a dor lateral do quadril?
A dor geralmente é percebida na região externa do quadril, próxima à proeminência óssea conhecida como trocânter maior.
Os pacientes costumam relatar:
- dor ao deitar sobre o lado afetado;
- dor ao caminhar por períodos prolongados;
- desconforto ao subir escadas;
- dor ao permanecer muito tempo em pé;
- sensibilidade ao toque na lateral do quadril.
Em alguns casos, a dor pode irradiar para a parte externa da coxa.
A bursa é uma pequena bolsa preenchida por líquido que ajuda a reduzir o atrito entre os tendões e os ossos.
Quando ocorre inflamação dessa estrutura, pode surgir a chamada bursite trocantérica.
A bursite pode provocar dor localizada, especialmente durante atividades que aumentam a pressão sobre a região lateral do quadril.
Nem toda dor lateral do quadril é bursite
Nos últimos anos, observou-se que muitos pacientes com dor lateral do quadril apresentam alterações dos tendões glúteos, e não apenas inflamação da bursa.
Por esse motivo, atualmente muitos especialistas utilizam o termo síndrome dolorosa trocantérica maior, que engloba diferentes causas de dor nessa região.
Uma das causas mais frequentes de dor lateral do quadril é a tendinopatia dos músculos glúteo médio e glúteo mínimo.
Esses tendões desempenham papel importante na estabilidade da pelve durante a caminhada.
Quando sofrem sobrecarga ou degeneração, podem causar sintomas semelhantes aos atribuídos tradicionalmente à bursite.
Quem tem maior risco de desenvolver esse problema?
A dor lateral do quadril pode ocorrer em diferentes idades, mas é mais comum em:
- mulheres de meia-idade;
- pessoas com alterações da marcha;
- pacientes com fraqueza da musculatura do quadril;
- corredores e praticantes de atividades de impacto;
- indivíduos que permanecem longos períodos em pé.
O diagnóstico começa com uma avaliação clínica detalhada.
A localização da dor, os movimentos que desencadeiam os sintomas e o exame físico ajudam a direcionar a investigação.
Em alguns casos, exames complementares podem ser solicitados, como:
- radiografias;
- ultrassonografia;
- ressonância magnética.
Esses exames podem auxiliar na identificação de alterações tendíneas, inflamação da bursa ou outras condições associadas.
Quais são os tratamentos disponíveis?
O tratamento depende da causa específica dos sintomas.
Entre as opções mais utilizadas estão:
A fisioterapia costuma ser uma das principais ferramentas de tratamento.
O objetivo é melhorar a força muscular, corrigir desequilíbrios biomecânicos e reduzir a sobrecarga sobre os tendões.
Modificação temporária das atividades
Algumas atividades podem precisar ser adaptadas durante o período de recuperação.
Isso não significa interromper completamente os movimentos, mas ajustar a carga de acordo com a tolerância de cada paciente.
Em situações específicas, medicamentos podem ser utilizados para auxiliar no controle da dor.
Em alguns casos selecionados, infiltrações podem ser consideradas como parte do tratamento.
A indicação deve ser individualizada e discutida durante a avaliação médica.
Quando procurar um especialista?
É recomendável procurar avaliação médica quando a dor:
- persiste por várias semanas;
- interfere no sono;
- dificulta caminhadas;
- limita atividades físicas;
- retorna repetidamente apesar dos tratamentos realizados.
Quanto mais cedo a causa for identificada, maiores são as chances de recuperação e retorno às atividades habituais.
A dor na lateral do quadril nem sempre significa apenas bursite.
Alterações dos tendões glúteos e outras condições da região podem produzir sintomas muito semelhantes, exigindo uma avaliação cuidadosa para estabelecer o diagnóstico correto.
Quando a dor persiste ou começa a interferir na qualidade de vida, uma investigação adequada pode ajudar a identificar a causa e definir o tratamento mais apropriado para cada caso.